Arte

There are 15 entries in this Categoria.

A estrela da semana #31.07.2013

Há mais ou menos 1 mês, o catálogo da exposição da artista Joana Vasconcelos, realizada no Palácio Nacional da Ajuda (Portugal), tem sido o relâmpago daqui de casa.

O fato é que “mames” voltou encantada com a exposição e todos que perguntavam acerca da viagem ela só falava sobre Joana, assim, despertando interesse instantâneo de todos sobre a artista.

E para gostar tem que conhecer, lá fui eu pesquisar.

Joana Vasconcelos interpreta a realidade através da análise das mentalidades e das iconografias da sociedade atual. A artista aborda a dialética entre alta e baixa cultura, as esferas pública e privada, a tradição e a contemporaneidade. A sua prática consiste na desconstrução dos valores, hábitos e costumes da civilização ocidental para questionar a identidade pessoal e coletiva, releve esta do género, da classe ou da nacionalidade. Vasconcelos inspira-se no imaginário comum, tanto a nível global como local. Contudo, na sua prática, prevalecem referências a narrativas e artefatos familiares ao seu cotidiano. Tal traduz-se na adoção regular de imagens e objetos característicos do lugar onde vive e trabalha – Lisboa- como matéria-prima das suas obras. Na execução destas, a artista emprega materiais populares normalmente associados à condição da mulher e recorre a técnicas com caráter artesanal habitualmente ligadas ao labor feminino. Miguel Amado – comissário da exposição.

Algumas obras já haviam sido apresentadas em outros espaços, como no Palácio de Versalhes. Nos dois contextos, as mesmas dialogam com elementos das salas dos Palácios, que as acolhem e, muitas vezes, promovem uma redescoberta.

Para quem, como eu, não pode visitar a exposição, segue um vídeo que faz um passeio por entre as salas da mostra.

O conjunto de obras em cerâmica e croché inscreve-se na série de trabalhos desenvolvidos a partir de um núcleo restrito de faianças desenhadas por Rafael Bordalo Pinheiro, unanimamente posicionado entre os mais destacados artistas portugueses do século XIX. A apropriação de Joana, no quadro da vasta produção cerâmica de Bordalo Pinheiro, inclui apenas a representação natunalista de animais, cuja proximidade com o homem é capaz de gerar desconforto, receio ou medo.


Esta última obra, denominada de Airflow, exibe um dispositivo cinético de gravatas coloridas esvoaçantes. De acordo com Miguel Amado, a bidimensionalidade da composição é declarada negada pela coreografia do movimento das gravatas, convocando a moda, investida de associações fálicas e simbologia associada ao poder masculino, para encenar um diálogo, simultaneamente paródico e solene, entre escultura e pintura.

Conhecer o trabalho de Joana foi encantador e pensando aqui com meus botões, talvez Joana não seja o raio da semana e sim a estrela, na medida em que o raio é uma violenta descarga de energia, ao passo que a estrela é energia acumulada.

Beijos,

Luisa Mendes

 

 

Por falar em Moda

Este ano, ganhei vários presentes valiosos no que se refere à pesquisa de moda. Hilal Sami Hilal me presenteou com a coleção de revistas de sua mãe, uma série que contempla edições da Carnet de Mode, Biancheria di Elegantissima e Burda, todas da década de 70. Mais recentemente, ganhei da Lara Felipe moldes de vestidos de noiva/madrinha, e vestidos para “misses and women´s” também da década de 70. Só tenho que agradecer pelo carinho em poder pesquisar nestas preciosas fontes .

Semana passada, lendo uma das revistas, encontrei uma folha destacada que parece ser um texto da editora da revista Claudia Moda, Maria da Penha Bueno de Moraes, sobre o outono de 1987.

De fato, este texto sobre as tendências outono 87 é um reflexo da sociedade da época e concomitantemente sua beleza vista pelos olhos de Maria da Penha, leia-se revista Cláudia Modas.

Algumas transgressões são permitidas, especialmente às mais jovens (de idade ou de espírito), como a fantasia da mulher-flor ou da mulher-boneca, referenciadas pela saia balonê.

Se compreendermos que a beleza é uma criação cultural e seu significado ganha novos formatos na medida em que relacionamos espaço/tempo, acredito que este editorial cairia muito bem à exposição La belleza, una búsqueda sin fin, aberta esta manhã no Museu da Evolução Humana, na cidade de Burgos/ Espanha:

Para muchos científicos el sentido de la belleza está relacionado con el pensamiento simbólico y la auto consciencia, lo que nos permite sumergirnos en los inicios de la humanidad y propiciar una reflexión sobre la capacidad simbólica de nuestra especie y las distintas formas de representación.  La Belleza, una búsqueda sin fin.

La muestra realiza un recorrido científico y cultural que permite reflexionar sobre el concepto de la belleza desde sus inicios hasta nuestros días e incluso adelantar cómo será la belleza del futuro. La exposición se divide en los siguientes ámbitos: ‘La naturaleza de la belleza’, ‘ Fascinación por la belleza’, ‘Generación de la toilette’, ‘Belleza, poder y cotidianeidad’, ‘Luces, cámara, acción’ y ‘Belleza: Ciencia y  futuro’ y abarca iconos singulares representativos a lo largo de la historia como los bifaces fabricados por el Homo ergaster, los collares egipcios o las diademas romanas.

También hay un espacio para el uso de la cosmética y de los pigmentos singulares utilizados a lo largo de los años, hasta los monumentales estilos de peinado de la época de Enrique IV. En el siglo XIX llegaría la primera agua de colonia y a principios del siglo XX el primer tinte sintético del cabello. Todo ello está representado en la exposición, en la que también se adelanta cómo evolucionará el concepto de belleza en el futuro.

Fiquei curiosa para ver essa mostra. Para quem se interessar, segue link que contêm o folder da exposição, com informações sobre a história da beleza e sua relação com o cinema e o futuro:

http://issuu.com/museoevolucion/docs/folleto_belleza

http://pinterest.com/11meh/la-belleza-una-b%C3%BAsqueda-sin-fin/

…… mas estou aqui apenas divagando com estas descobertas recentes, e compartilhando com vocês.

Ahh, só para terminar, vocês conhecem Neil Harbisson?

Então, acabei de descobri-lo (sério, só hoje!)

e para concluir este post, neste exato instante, queria saber o que é “belo” pra ele.

E para você?

Beijos,

Luisa Mendes

Art Capsul

George Condo, Terence Koh, Vik Muniz, Marina Abramovic e Mickalene Thomas foram convidados para desenvolver coleções especiais para um site de e-commerce. Esta ação foi uma colaboração do New York National Arts Club sob a curadoria de Stacy Engman.

As peças foram feitas sob medida e apresentadas na última quarta-feira no Palais de Tokyo, paralela a semana de moda de Alta – Costura de Paris.

Marina Abramovic

Vik fez um vestido superestampado, enquanto Marina apresentou sete macacões coloridos. Mickalene também apostou em um vestido, só que nas cores preto e branco. Koh mostrou uma jaqueta branca bordada de pérolas e Condo criou um casaco preto com detalhes de pelo. Stacy Engman, curadora de arte contemporânea do The National Arts Club New York, ajudou a elaborar do projeto, que é ideia de Holli Rogers, diretora de moda do site. “Esse trabalho representa o futuro. Essas peças são obras de arte criadas por artistas visuais, mas totalmente usáveis”, disse Stacy ao WWD, ressaltando que a relação entre moda e arte tende a crescer. Fonte: site http://mdemulher.abril.com.br

Estas são as únicas informações que tenho. Por isso, se você que está lendo este post sabe mais sobre este projeto, deixe seu comentário.

Beijos,

Luisa Mendes

O fim da teoria evolucionista. Será?

Cientistas, artistas e estilistas estão conectados, expandindo seus conhecimentos genéticos, modificando genes e incluindo proteína fluorescente na construção de suas poéticas.

Kong Il-keun, especialista em clonagem na Universidade Nacional de Gyeongsang, na Coréia do Sul, produziu três gatos da raça angorá turca com genes modificados para proteína fluorescente (RFP, na sigla em inglês). O experimento trata-se, na verdade, de um importante avanço para a medicina. (revista IstoÉ)

É a primeira vez que conseguimos produzir gatos clonados com genes manipulados. Isso poderá ser aplicado em estudos com células-tronco e no tratamento de doenças genéticas,diz Il-keun.

Segundo ele, os gatos têm cerca de 250 tipos de doenças que também afetam o homem. Assim como os bichanos da Coréia do Sul, outros animais vêm tendo os seus genes manipulados para auxiliar a ciência na luta pela melhoria da qualidade da vida humana. A experiência é tão fantástica que levou grandes especialistas, como o geneticista chinês Bruce Lahn, a decretar que a criação de animais em laboratório representa o fim da teoria evolucionista proposta por Charles Darwin no século XIX. Lahn diz que a era da evolução natural acabou. Entramos na era da manipulação das espécies.

Se é o fim da teoria evolucionista eu não sei, mas que a informação é uma espécie de vetor que permiti que se estabeleça um substrato comum, que perpassa a matéria física, a matéria viva e a máquina, disso tenho certeza. A partir da arte transgênica, isso é possível, graças à constituição da noção de informação, no qual se pode entender o objeto técnico, o ser vivo e o ser inanimado.

Em 2000, o artista Eduardo Kac realizou o trabalho denominado GFP Bunny. Trata-se da inclusão de uma proteína de medusa (Aequorea Victoria) em um DNA de uma coelhinha albina, tornando-a fluorescente em um ambiente com uma determinada iluminação (precisa-se de um tipo de luz azul).

Eu proponho o uso da engenharia genética para transferir gens sintéticos para micro organismos ou material genético de uma espécie para a outra com o objetivo de criar organismos vivos únicos e originais. A engenharia genética permite ao artista criar novas formas de vida animal e vegetal. A natureza deste tipo de arte se define não apenas pelo nascimento de uma nova planta ou animal, mas pela qualidade da relação que se estabelece entre o artista, o público e o organismo transgênico. Trabalhos de arte transgênica serão levados pelo público para casa para serem plantados no jardim ou criados como animais domésticos. Não pode existir arte transgênica sem um firme compromisso e responsabilidade com a nova forma de vida criada. Diz Eduardo Kac

Já Universidade de Tóquio, o cientista Takashi Sakudoh manipulou os genes do bicho da seda para que eles produzissem fios vermelhos, amarelos e verdes – cores que, naturalmente, não produzem.

As cores da seda resultam de pigmentos naturais, absorvidos quando os bichos comem as folhas de amoreira. Por isso as cores naturais são pouco vibrantes e padronizadas”, diz Sakudoh.

Os cientistas japoneses observaram que, nos bichos-da-seda que produzem seda branca, o “sangue amarelo” ou gene Y sofre mutação: um segmento de DNA é apagado. O gene Y permite aos bichos da seda extrair carotenóides (pigmentos orgânicos que ocorrem naturalmente nas plantas), compostos da cor amarela, das folhas da amoreira.

Os insetos com mutação produziam uma forma não-funcional da proteína de carotenóide CBP, conhecida por ajudar a captar o pigmento. Usando técnicas de engenharia genética, os cientistas introduziram genes Y imaculados nos insetos mutantes.

Os bichos-da-seda manipulados produziram CBP e casulos de cor amarela, que se revelou mais forte depois de vários cruzamentos. Segundo os autores deste estudo, publicado nas atas da Academia Nacional de Ciência dos Estados Unidos, a seda poderá ser produzida em cor-de-carne e num tom avermelhado.

A designer Yumi Katsura desenvolveu vestidos de noiva utilizando esta seda específica. Com duração de até dois anos, o efeito surge quando o vestido é exposto a fontes de luz ultravioleta, capazes de fazer o modelo brilhar em tons de vermelho, laranja e verde.

Talvez Darwin reprovasse todas essas experiências, mas essa é a escada da vida. Ou seja: a evolução das espécies cedeu lugar à manipulação dos genes. Também as teses evoluem. (revista IstoÉ)

Será?

Se essa proteína fluorescente age como um raio – feixe de luz – há de se considerar que para os hindus o raio gera e destrói, ao mesmo tempo, ele é vida e é morte.

Beijos,

Luisa Mendes

O relâmpago da semana #26.06.2013

Semana passada, a Zipper Galeria, em São Paulo, reuniu em uma mostra intitulada Bem-vindos, trabalhos dos seis novos artistas que integram o grupo representado pela galeria: Ricardo Rendon, Rodrigo Oliveira, Daniel Escobar, Marcelo Amorim, Camille Kashani e Adriana Duque.

Confesso que não conhecia a Zipper, mas foi uma imagem do trabalho da Adriana Duque,  que conduziu o meu olhar para a reportagem que falava sobre a exposição.

As crianças fotografadas por Adriana Duque são personagens de uma cena teatral, uma quase-pintura, que desafia a ideia comum de que a fotografia é um documento inquestionável. Os cenários são construídos, a luz é calculada, as roupas são confeccionadas especialmente para a foto, e os olhos azuis das crianças são adicionados na pós-produção digital. No entanto, nos encantam pela mágica da verossimilhança, por serem imagens que poderiam ser, mesmo que saibamos que não são, fieis a algum real.

A suspensão da descrença, esse estado de deixar-se enganar voluntariamente, pelo prazer que o auto-engano proporciona, é vital no teatro e no cinema. Suspendemos o racional, entramos na brincadeira da obra, acreditamos que seria possível. Nos tempos pós-modernos, já nem sabemos mais quando estamos suspendendo a descrença e quando estamos sendo enganados. Os meios de distribuição de imagens nos bombardeiam com rostos e corpos impossíveis, cenários de sonhos, exemplos de felicidade plena, fazendo-nos tomar por naturalismo o que deveria ser claramente entendido como maneirismo.

Adriana Duque exacerba a manipulação de nossa crença perante a imagem. Suas lindas crianças vestem-se como pequenos monarcas, reinam em um cenário de veludo e brocados, adornam-se com uma coroa que se parece com um fone de ouvido, trazendo-as para a contemporaneidade apesar da atmosfera barroca.

Ao citar o século 17 nos contrastes de claro e escuro e na rica ornamentação das vestes e mobílias, Duque nos coloca também em contato com a história da arte latino-americana, que violentamente viu a arte nativa ser substituída pela arte então em vigor na Espanha. As crianças das fotografias podem ser um retrato de uma arte ainda na infância, que tenta crescer mas mantém-se ligada a um começo artificialmente barroco, que a criança traveste sem questionar, com fones de ouvido que abafam qualquer som crítico, e as mantém olhando para a câmera, sem que vejam, ao fundo, o interior genuíno, simples, de uma casa real.

Paula Braga, 2013

Não é a primeira vez que comento neste blog sobre o uso de headphones como um elemento do vestuário.

Neste caso, como um “abafador do som crítico”.

Mas não são os headphones, os cenários construídos, a luz calculada ou as roupas confeccionadas especialmente para o trabalho que me encantaram. Foram as encenações reais da paisagem social, seja na série Niños BarrocosDe cuento en cuento ou arquetipos domésticos.

La artista Adriana Duque practica un manierismo fotográfico que explora realidades escenificadas del paisaje social. Sus “cuadros” fotográficos son una puesta en escena de su propia inspiración, cuyo denominador común está en los encuentros y contrastes entre la alta cultura occidental y sus mitos con la distopía espacial y social de su país. La imagen fotográfica de su trabajo hace referencia a la pintura, al teatro, a la literatura y al cine. A través de ella se percibe el silencio de la pintura, la luz del cine, la inmediatez del teatro y la superficialidad de la imagen publicitaria; son performances ficticios escenificados para la cámara y construidos posteriormente en el computador, que crean un mundo claustrofóbico y hermético de ilusión y extrañamiento. 

Carlos E. Betancourt

Este blog é um espécie de fertilizante para o meu trabalho. Tudo que relampeja em mim, ganha espaço aqui. Como o fogo celeste, de imensa potência e assustadora rapidez, pode ser benéfico ou nefasto, mas vai saber…. só com o tempo.

Esta semana, Adriana Duque é o meu relâmpago.

Beijos,

Luisa Mendes

 

Knotted tassels: funcionalidade e ornamento

Semana passada, participei de um curso com Katia Johansen, conservadora textil e curadora do Royal Danish Collections, sobre Museologia da Moda, Instituto Zuzu Angel. Johansen falou um pouco sobre a indumentária na Dinamarca, como eles reconstroem e preservam as peças com o intuito de pesquisar o seu processo.

Katia explicou sobre os “Knotted tassels”- adorno, característico do século XVII, usado no pescoço cujo acabamento final era feito por nó – e mostrou como eles foram reproduzidos e continuam presentes, fazendo um paralelo com os headphones atuais.

este slide foi apresentado por Katia Johansen

Confesso que fiquei apaixonada por esta aproximação e quando retornei do curso, fui em busca no meu arquivo de dados, de referências e imagens que validam o uso de headphones como um elemento do vestuário: unindo funcionalidade e ornamento.

Os “Knotted tassels”, assim como os headphones, apresentam aspecto de uma corda. Suas extremidades agem como alfa e ômega, princípio e fim.

Não é de se estranhar que os “tassels” adornam justamente o pescoço: local do corpo humano em que se localiza a alma animal do homem, que condiciona o seu temperamento. É a partir desta perspectiva que os índios guaranis apapocuvas do Brasil, transpõem para o pescoço a comunicação entre a alma e o corpo.

Visando ilustrar este aspecto, digo que se os “Knotted tassels” atribuíram novos sentidos aos headphones, hoje eles abrigam um elemento agregador ao adorno: a música.

Para Boécio, a música rege o homem e o apreende – supõe um acordo entre alma e corpo.

Ei-la que se aproxima da orelha,

Como se fosse falar, beijando

Seu querido amante,

É a corda: esticada no arco, ela vibra

Como uma donzela, salvadora, na batalha.

( Rig-Veda, 6, 75)

 

Beijos,

Luisa Mendes

Roupas que purificam o ar

Considerado um dos quatro elementos, o ar representa a vida invisível, é o meio próprio da luz, do alçar voo, da cor e do perfume.

O ar é um purificador.

Ou, deveria ser.

No momento, as duas maiores fontes de poluentes atmosféricos são transmitidas por veículos da indústria e do motor. Pensando nisso, Helen Storey, artista e designer, se juntou com Tony Ryan, cientista, para pesquisar e encontrar uma solução para purificar o ar por meio das roupas que usamos.

Eles criaram o projeto CATALYTIC CLOTHING.

Funciona desta forma: durante o processo de lavagem de nossas roupas, adicionamos um catalisador, à medida que nos movemos este fotocatalisador ganha energia por meio da luz, assim os elétrons são reorganizados, tornando-se reativos. Estes elétrons reagem com a água do ar e quebram-se em radicais que reagem com poluentes atmosféricos, fazendo com que estes se dividam em não nocivos químicos.

The Catalytic Clothing Story from Helen Storey Foundation on Vimeo.

Helen e Tony já realizaram testes com o cotton e o denim, e se tudo ocorrer como o planejado, em dois anos este material estará acessível para todos nós.

Se pensarmos de acordo com a tradição Islã, que o tear simboliza a estrutura e o movimento do universo, concluiremos que a nanotecnologia aplicada à tecelagem pode ser um caminho para a mudança do nosso ecossistema.

Tudo se passa como se a tecelagem traduzisse em linguagem simples uma anatomia misteriosa do homem.

Beijos,

Luisa Mendes

Siga-me

Andar de sapatos é tomar posse da terra. Jean Servier em Les Portes de

l´Année.

Na Grécia, século V a.C, as cortesãs usavam sandálias folheadas a ouro, e as solas eram cravejadas com pregos que deixavam marcada a palavra “siga-me” por onde passavam.

Norene Leddy, anos 2000, faz uso do sapato como uma ferramenta que contribui para um diálogo com as prostitutas de rua. Esta social sculpture”, como é definida pela própria artista, faz parte do projeto The Aphrodite.

Trata-se de uma sandália plataforma, feita para ser usada por prostituas de rua, que no salto traz embutidos um GPS e um botão que, se acionado, dispara um alarme silencioso para serviços de emergência. Caso o alarme seja disparado em locais onde são comuns os conflitos com a polícia, o sinal é direcionado a associações de proteção a trabalhadoras sexuais.

                                                                                             Giselle Beiguelman

Lembrei-me que para os antigos Taoístas, as sandálias eram o meio de locomoção nos ares: homens das solas de vento, suas sandálias tinham asas; é até possível que elas fossem pássaros.

No projeto Aphrodite→  AS PLATAFORMAS são = CALCANHARES ALADOS, que navegam em uma nuvem pós-virtual, evidenciando desde o valor dos serviços sexuais até a ética no monitoramento.

.

.

.

♥ o trabalho da artista Norene, que a propósito conheci durante a apresentação de Giselle Beiguelman, nos Seminários Internacionais Museu Vale.

Quem não foi, pode ver tudinho por aqui → Palestras Muse Vale. 

Beijos,

Luisa Mendes

Vamos pular amarelinha?

Que delícia. Para os amigos do Espírito Santo, e para os que estiverem no Estado ainda este mês.

Exposição “Elisa” foi prorrogada até o final de março.

Acima, foto da obra do artista Orlando da Rosa Farya.

O que se vê? Um diagrama: brincadeira de criança – jogo de amarelinha

Do que a obra pode estar falando? Uma metáfora da vida.

Não dá para perder.

Beijos,

Luisa Mendes

Elisa na GAEU

Ontem, dia 27 de novembro, dia de Nossa Senhora das Graças, ocorreu a vernissage da Exposição Elisa, na Galeria de Arte Espaço Universitário, UFES.

Elisa: à espera de construir novas paisagens.

A Galeria de Arte Espaço Universitário encerra o calendário de 2012 com a exposição denominada “Elisa”. Dez artistas com linguagens diversas criam de forma relacional afinidades de trabalho e produção com a poética da artista multimídia Elisa Queiroz.

Coube a este grupo, amigos da artista, se debruçar durante dois dias sobre o espólio da artista, reunir suas obras e pôr em ordem suas memórias, depositada no Sítio Luar de São Bento, de propriedade de Mauro Ferreira, na região montanhosa de Pedra Azul.

Subimos todos juntos, numa manhã fria – sábado de maio – por uma pequena estrada que dava acesso ao sítio, região pitoresca e aprazível; ademais, viam-se inumeráveis vegetações das mais diversas, onde tufos de pessegueiros cor-de-rosa e outras belas árvores ofereciam sombras densas. Desse majestoso e agradável caminho, tivemos a grata surpresa quando, de súbito, sem atalho para continuar, no topo da serra, descortinava-se uma pequena casinha branca, praticamente era um ermo solene. Segundo Mauro, estávamos “à porta do céu”. Com grande sentido, essa pequena frase engendrou uma nova inventiva: vindouro – evoca ao mesmo tempo artista e obra, o que está por vir. Promessa.

Nesta perspectiva, e na própria medida dessa expansão, este acesso possibilitou observar como Elisa Queiroz utilizava-se de suas coleções pessoais, fatos biográficos e elementos cotidianos em seus trabalhos, elementos que migravam do ‘mundo’ para o interior das obras, ressignificando e sendo ressignificados em novas estruturas simbólicas. Um legado valioso, um patrimônio – regulado por acordo de transferência e pertencente ao acervo da Universidade Federal do Espírito Santo – que permitirá a transmissão às gerações vindouras de um valoroso benefício para a arte brasileira.

Assim, as escolhas dos artistas Douglas Salomão, Erly Vieira, David Caetano, Fabrício Coradello, Júlio Tigre, Júlio Schmidt, Yvana Belchior, Luciano Cardoso, Maruzza Valdetaro e Orlando da Rosa Farya, que fazem parte desta mostra, de modo algum interpretam ou ilustram a obra de Elisa Queiroz. Mas eles se aproximam de representações sobre o seu contexto; são signos enquanto método mnemônico para acessar as diversas camadas, expandir e adensar a produção de conhecimento, transformando o acervo de uma artista em um eixo vivo dentro da instituição. Estes ‘documentos visuais’ produzidos pelos artistas funcionam como mapeamentos subjetivos, transfiguram-se em novos arquivos e espaços narrativos. Esta coleção não poderia iniciar-se melhor, e estamos certos de que o público lhe despenderá o mesmo acolhimento com que consagrou a grande artista Elisa Queiroz.

A propósito, o título desta exposição, extraído do próprio nome da artista, inscreve o corpus da obra “Elisa”, que em hebraico significa promessa. A sua assinatura ao longo de sua trajetória abreviada no monograma E.Q numa relação quase ‘confessional’, ainda que codificada em símbolos e de forma sempre evocativa, é uma inscrição.

Porém, há algo aqui e agora, atrás, quem sabe do lado, que ficou intocável! Mas sustenta um peso descomunal – AHHH, SAUDADE DE ELISA! Talvez por isso, pela primeira vez, ela não seja leve.

Neusa Mendes

 Sábado, céu azul de outubro 2012

Neusa e Elisa, minhas mães.

Até 08 de março de 2013, 08:00 às 18:00.

Não dá para perder.

Fotos: Elder Ferreira.

Beijos,

Luisa Mendes