Arte

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Elisa na GAEU

Ontem, dia 27 de novembro, dia de Nossa Senhora das Graças, ocorreu a vernissage da Exposição Elisa, na Galeria de Arte Espaço Universitário, UFES.

Elisa: à espera de construir novas paisagens.

A Galeria de Arte Espaço Universitário encerra o calendário de 2012 com a exposição denominada “Elisa”. Dez artistas com linguagens diversas criam de forma relacional afinidades de trabalho e produção com a poética da artista multimídia Elisa Queiroz.

Coube a este grupo, amigos da artista, se debruçar durante dois dias sobre o espólio da artista, reunir suas obras e pôr em ordem suas memórias, depositada no Sítio Luar de São Bento, de propriedade de Mauro Ferreira, na região montanhosa de Pedra Azul.

Subimos todos juntos, numa manhã fria – sábado de maio – por uma pequena estrada que dava acesso ao sítio, região pitoresca e aprazível; ademais, viam-se inumeráveis vegetações das mais diversas, onde tufos de pessegueiros cor-de-rosa e outras belas árvores ofereciam sombras densas. Desse majestoso e agradável caminho, tivemos a grata surpresa quando, de súbito, sem atalho para continuar, no topo da serra, descortinava-se uma pequena casinha branca, praticamente era um ermo solene. Segundo Mauro, estávamos “à porta do céu”. Com grande sentido, essa pequena frase engendrou uma nova inventiva: vindouro – evoca ao mesmo tempo artista e obra, o que está por vir. Promessa.

Nesta perspectiva, e na própria medida dessa expansão, este acesso possibilitou observar como Elisa Queiroz utilizava-se de suas coleções pessoais, fatos biográficos e elementos cotidianos em seus trabalhos, elementos que migravam do ‘mundo’ para o interior das obras, ressignificando e sendo ressignificados em novas estruturas simbólicas. Um legado valioso, um patrimônio – regulado por acordo de transferência e pertencente ao acervo da Universidade Federal do Espírito Santo – que permitirá a transmissão às gerações vindouras de um valoroso benefício para a arte brasileira.

Assim, as escolhas dos artistas Douglas Salomão, Erly Vieira, David Caetano, Fabrício Coradello, Júlio Tigre, Júlio Schmidt, Yvana Belchior, Luciano Cardoso, Maruzza Valdetaro e Orlando da Rosa Farya, que fazem parte desta mostra, de modo algum interpretam ou ilustram a obra de Elisa Queiroz. Mas eles se aproximam de representações sobre o seu contexto; são signos enquanto método mnemônico para acessar as diversas camadas, expandir e adensar a produção de conhecimento, transformando o acervo de uma artista em um eixo vivo dentro da instituição. Estes ‘documentos visuais’ produzidos pelos artistas funcionam como mapeamentos subjetivos, transfiguram-se em novos arquivos e espaços narrativos. Esta coleção não poderia iniciar-se melhor, e estamos certos de que o público lhe despenderá o mesmo acolhimento com que consagrou a grande artista Elisa Queiroz.

A propósito, o título desta exposição, extraído do próprio nome da artista, inscreve o corpus da obra “Elisa”, que em hebraico significa promessa. A sua assinatura ao longo de sua trajetória abreviada no monograma E.Q numa relação quase ‘confessional’, ainda que codificada em símbolos e de forma sempre evocativa, é uma inscrição.

Porém, há algo aqui e agora, atrás, quem sabe do lado, que ficou intocável! Mas sustenta um peso descomunal – AHHH, SAUDADE DE ELISA! Talvez por isso, pela primeira vez, ela não seja leve.

Neusa Mendes

 Sábado, céu azul de outubro 2012

Neusa e Elisa, minhas mães.

Até 08 de março de 2013, 08:00 às 18:00.

Não dá para perder.

Fotos: Elder Ferreira.

Beijos,

Luisa Mendes

Tecido celulose-bacteriano

Em um dos meus vídeos preferidos do TED, Suzanne Lee, fashion designer, apresenta seu projeto de desenvolvimento de tecido por meio de uma cultura simbiótica de leveduras e bactérias.

Can we grow a dress from a vat of liquid? Suzanne Lee

Em uma grande banheira, Suzanne misturou açúcar a uma solução de chá verde e adicionou um pouco de levedura. Assim, obteve uma camada de couro compacta que pode ser utilizada como tecido para fazer roupas.
What I’m looking for is a way to give material the qualities that I need. So what I want to do is say to a future [insect], ‘Spin me a thread. Align it in this direction. Make it hydrophobic. And while you’re at it, just form it around this 3D shape.
Vocês já leram sobre esta pesquisa?
Vale a pena conhecer este rico processo. ↓↓↓

Beijos,

Luisa Mendes

A moça do brinco de pérola

foto Marcia Capovilla, modelo Ignez Capovilla

Ignez veste o lenço LE008 da coleção Elisa Queiroz

Beijos,

Luisa Mendes

Sonhar colorido faz bem!

Hélio Coelho tem a mão tagarela.

Artista plástico, designer, ilustrador e produtor gráfico tem o ato compulsivo de desenhar.

Hélio  C O E L H O

Na verdade, creio que Hélio não seja um coelho, penso que ele é um Pã

deus das grutas e dos bosques, metade animal e metade homem, inventor da flauta cujo som regozijava deuses, ninfas, homens e animais.

No entanto, o que prevalece para o artista é o lápis sob o signo da flauta.

A mão tagarela from erly vieira jr on Vimeo.

Esta é a virtude que o trabalho do artista evoca, soprando uma brisa suave que conduz os animais de todas as espécies a dançarem conforme sua nota.

Na coleção Hélio Coelho para o projeto Arte para Vestir, as garatujas do artista encontram nas camisetas brancas e nos lenços, massa passiva para se reverberar.

Assim, no meu, no seu, no nosso corpo assumem cor e textura. Pois canetinhas de tecido vão junto com as peças brancas.

kit Sonhar colorido faz bem.

Beijos,

Luisa Mendes

Revestida por Giacometti

Definitivamente Alberto Giacometti é um artista que me encanta. Durante o processo de pesquisa para a palestra “O cultivo da Criatividade”, proferida por mim durante o Vitória Moda Show 2012, li o livro Um retrato de Giacometti, de James Lord. Nele, Lord relata sua experiência de posar para Giacometti durante 18 dias. Estes relatos apresentam um Giacometti em eterna busca pela forma:

O engraçado, observou depois de algum tempo, é que simplesmente não consigo reproduzir o que vejo. Seria preciso morrer disso para conseguir.

Para ele, a situação não era nem um pouco divertida. Quando falava em morrer, parecia acreditar realmente naquilo. No entanto continuava a trabalhar. Essa é a essencial, a intolerável dualidade de sua vida. Afirma Lord.

É claro que nesta altura eu já estava tomada por todo o universo Giacometti, então, quando estive no Rio de Janeiro, há duas semanas, não tardei em conferir a bela retrospectiva que o MAM apresenta.

Esculturas, pinturas e desenhos belíssimos que abrigam toda a dualidade e precisão do artista. Mas o que não sabia e compartilho com vocês é que Alberto também fez um lenço, em 1959, encomendado por seu galerista Aimé Maeght.

O mesmo foi exposto na Louis Vuitton Flagship por um curto período, coincidindo com o lançamento de uma edição limitada de lenços.

A relação entre moda e arte é um condutor do meu trabalho, como vocês sabem, então não poderia ser de outra forma não é! sai da exposição com vontade de levar o lenço comigo!

Revestida por Giacometti ♥

Beijos,

Luisa Mendes

 

Comelância

A vídeo instalação Comelância, é composta por uma melancia de 5 kg e um monitor de vídeo de 3″ que exibe imagens da artista Elisa Queiroz devorando uma melancia. Esta visualização é permitida por meio de uma abertura em formato de coração.

Este é um dos vários trabalhos produzidos pela artista, e referência para a coleção de lenços do dia das mães.

Instalação exibida na exposição Quanto Mais Arte Melhor, UFES, 2005

Ref.:LE004, 120x120cm

Beijos,

Luisa Mendes