Moda

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Potencial de sentido

Durante o processo de criação de peças do vestuário, a percepção de uma nova ordem e de novas relações me direcionam sempre para as costas.  Isso mesmo, começo sempre pela parte de trás da roupa, pela coluna vertebral.

Lendo alguns textos de Flávio de Carvalho publicados no Diário de São Paulo no ano de 1956, na sua coluna “Casa, homem, paisagem”, começo a perceber um sentido nesta minha ordem de criação.

Para Flávio, tudo se inicia por meio do desejo de equilíbrio:

é só pensarmos em Barylamba, mamífero que nasceu da árvore-refúgio há 75 milhões de anos no Paleoceno. Após o desaparecimento dos terríveis dinossauros, a fim de tomar conta da terra junto com outros mamíferos nas mesmas condições, Barylamba desenvolve uma longa cauda, que funciona como um tripé: contrapeso para o equilíbrio e fornecendo segurança na locomoção.

Esta busca de equilíbrio é pertinente na composição do traje e apesar de ter perdido a sua cauda há cerca de cem milhões de anos atrás, o homem, ainda hoje, busca um substituto de pano.

A imperatriz Josefina com sua longa cauda ajudava a equilibrar a insegurança de Napoleão, palavras de Flávio de Carvalho.

A cauda, apesar de não visível externamente, se encontra de fato presente no homem e no macaco antropomórfico e é construída pelos mesmos moldes em ambos. Darwin, Descent of Man.

De fato, a cauda se manifesta na indumentária em vários momentos históricos e se visualizarmos os desfiles atuais, esta mimetização se perpetua.

Tal como interpreta Flávio de Carvalho e eu a interpreto, a “cauda” é o nosso tripé, equilíbrio, eixo, coluna vertebral, no sentido lato do termo. Também entendo de maneira dialógica, que ao sabor da evolução humana, não há maneira mais absoluta do que o espírito da roupa: ela contém um potencial de sentido.

Beijos,

Luisa Mendes 

Siga-me

Andar de sapatos é tomar posse da terra. Jean Servier em Les Portes de

l´Année.

Na Grécia, século V a.C, as cortesãs usavam sandálias folheadas a ouro, e as solas eram cravejadas com pregos que deixavam marcada a palavra “siga-me” por onde passavam.

Norene Leddy, anos 2000, faz uso do sapato como uma ferramenta que contribui para um diálogo com as prostitutas de rua. Esta social sculpture”, como é definida pela própria artista, faz parte do projeto The Aphrodite.

Trata-se de uma sandália plataforma, feita para ser usada por prostituas de rua, que no salto traz embutidos um GPS e um botão que, se acionado, dispara um alarme silencioso para serviços de emergência. Caso o alarme seja disparado em locais onde são comuns os conflitos com a polícia, o sinal é direcionado a associações de proteção a trabalhadoras sexuais.

                                                                                             Giselle Beiguelman

Lembrei-me que para os antigos Taoístas, as sandálias eram o meio de locomoção nos ares: homens das solas de vento, suas sandálias tinham asas; é até possível que elas fossem pássaros.

No projeto Aphrodite→  AS PLATAFORMAS são = CALCANHARES ALADOS, que navegam em uma nuvem pós-virtual, evidenciando desde o valor dos serviços sexuais até a ética no monitoramento.

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♥ o trabalho da artista Norene, que a propósito conheci durante a apresentação de Giselle Beiguelman, nos Seminários Internacionais Museu Vale.

Quem não foi, pode ver tudinho por aqui → Palestras Muse Vale. 

Beijos,

Luisa Mendes

Tecido celulose-bacteriano

Em um dos meus vídeos preferidos do TED, Suzanne Lee, fashion designer, apresenta seu projeto de desenvolvimento de tecido por meio de uma cultura simbiótica de leveduras e bactérias.

Can we grow a dress from a vat of liquid? Suzanne Lee

Em uma grande banheira, Suzanne misturou açúcar a uma solução de chá verde e adicionou um pouco de levedura. Assim, obteve uma camada de couro compacta que pode ser utilizada como tecido para fazer roupas.
What I’m looking for is a way to give material the qualities that I need. So what I want to do is say to a future [insect], ‘Spin me a thread. Align it in this direction. Make it hydrophobic. And while you’re at it, just form it around this 3D shape.
Vocês já leram sobre esta pesquisa?
Vale a pena conhecer este rico processo. ↓↓↓

Beijos,

Luisa Mendes

Turbante de sexta

Deus e os anjos abençoam aquele que usa um turbante na sexta-feira. Jean Chevalier

foto Marcia Capovilla, modelo Ignez Capovilla

Beijos,

Luisa Mendes

A princesa marroquina


How To Tie A Turband 3 Ways from LEAFtv on Vimeo.

Ignez Capovilla veste o lenço LE006, da coleção Elisa Queiroz.

Fotos: Marcia Capovilla.

Beijos,

Luisa Mendes

Turbantes de Elisa

Se para os árabes, turbantes são coroas, e a “coroa” tem sua significação calcada na elevação, poder e iluminação; nesta semana a coleção de lenços Elisa Queiroz se apresenta como elemento de poder e luz.

O homem receberá a luz para cada volta do turbante em torno de sua cabeça.

Mas você sabe como transformar o seu lenço em turbante?

Fizemos um editorial que mostra as possibilidades deste adorno de cabeça. Ao longo da semana, você confere o resultado aqui no blog.

Agradecimento às fotógrafas Márcia e Ignez Capovilla.

Para esquentar as turbinas, dê uma olhada nestas sugestões e nos acompanhe durante a semana.

Beijos,

Luisa Mendes

Sonhar colorido faz bem!

Hélio Coelho tem a mão tagarela.

Artista plástico, designer, ilustrador e produtor gráfico tem o ato compulsivo de desenhar.

Hélio  C O E L H O

Na verdade, creio que Hélio não seja um coelho, penso que ele é um Pã

deus das grutas e dos bosques, metade animal e metade homem, inventor da flauta cujo som regozijava deuses, ninfas, homens e animais.

No entanto, o que prevalece para o artista é o lápis sob o signo da flauta.

A mão tagarela from erly vieira jr on Vimeo.

Esta é a virtude que o trabalho do artista evoca, soprando uma brisa suave que conduz os animais de todas as espécies a dançarem conforme sua nota.

Na coleção Hélio Coelho para o projeto Arte para Vestir, as garatujas do artista encontram nas camisetas brancas e nos lenços, massa passiva para se reverberar.

Assim, no meu, no seu, no nosso corpo assumem cor e textura. Pois canetinhas de tecido vão junto com as peças brancas.

kit Sonhar colorido faz bem.

Beijos,

Luisa Mendes

Conhecendo o avesso

Este é um espaço em que compartilho com vocês elementos que constroem a aura da marca Luisa Mendes.

Conhecer é olhar e enxergar.

O curador Paulo Sergio Duarte nos diz:

Não existe fórmula de educação do olhar. O importante é exercitar a suspensão dos preconceitos, saber que não tenho o hábito de ler, ouvir e ver certas coisas. São os hábitos que me possuem. Se percebo essa submissão e procuro evitar certezas que tenho, que são minhas, mas que pertencem aos meus hábitos, posso abrir novos horizontes à percepção.

Aqui, vamos descosturar a bainha e imergir no AVESSO das coleções.

A partir desta quarta-feira!

Assim vamos nos tornando mais próximos.

ilustração por Daniel Frost. site:danielfrostillustration.blogspot.com.br

Beijos,

Luisa Mendes

Revestida por Giacometti

Definitivamente Alberto Giacometti é um artista que me encanta. Durante o processo de pesquisa para a palestra “O cultivo da Criatividade”, proferida por mim durante o Vitória Moda Show 2012, li o livro Um retrato de Giacometti, de James Lord. Nele, Lord relata sua experiência de posar para Giacometti durante 18 dias. Estes relatos apresentam um Giacometti em eterna busca pela forma:

O engraçado, observou depois de algum tempo, é que simplesmente não consigo reproduzir o que vejo. Seria preciso morrer disso para conseguir.

Para ele, a situação não era nem um pouco divertida. Quando falava em morrer, parecia acreditar realmente naquilo. No entanto continuava a trabalhar. Essa é a essencial, a intolerável dualidade de sua vida. Afirma Lord.

É claro que nesta altura eu já estava tomada por todo o universo Giacometti, então, quando estive no Rio de Janeiro, há duas semanas, não tardei em conferir a bela retrospectiva que o MAM apresenta.

Esculturas, pinturas e desenhos belíssimos que abrigam toda a dualidade e precisão do artista. Mas o que não sabia e compartilho com vocês é que Alberto também fez um lenço, em 1959, encomendado por seu galerista Aimé Maeght.

O mesmo foi exposto na Louis Vuitton Flagship por um curto período, coincidindo com o lançamento de uma edição limitada de lenços.

A relação entre moda e arte é um condutor do meu trabalho, como vocês sabem, então não poderia ser de outra forma não é! sai da exposição com vontade de levar o lenço comigo!

Revestida por Giacometti ♥

Beijos,

Luisa Mendes

 

Arte para Vestir no Hotspot

Queridos,

Arte para Vestir está no Movimento Hotspot!

Este projeto foi desenvolvido pela marca Luisa Mendes, partindo do suporte comum como camisetas e lenços, levando para o consumidor referências de obras de artistas contemporâneos.

Edições realizadas:

Para revestir sua alma e recobrir seu corpo.

Quer saber mais sobre o projeto? Então clique no link abaixo e dê play no vídeo, se gostar, não se esqueça de curtir!                                                                                           ↓

http://movimentohotspot.com/projeto/arte-para-vestir/

Você não sabe o que é o movimento Hotspot?

O Movimento HotSpot é um instrumento para identificar, premiar e disseminar, em âmbitos regional e nacional, novos talentos em moda, beleza, design, fotografia, ilustração, design gráfico,  arquitetura, música, cenografia e filme/vídeo,  bem como para incentivar a criatividade  de seus participantes por meio da premiação da melhor ideia apresentada.

E ai, gostou da ideia? Então corre lá porque as inscrições foram prorrogadas até quarta-feira dia 5 de setembro.

Acima de tudo é um mapeamento dos jovens designers brasileiros.

Vamos lá!

Beijos,

Luisa Mendes