nanotecnologia

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O fim da teoria evolucionista. Será?

Cientistas, artistas e estilistas estão conectados, expandindo seus conhecimentos genéticos, modificando genes e incluindo proteína fluorescente na construção de suas poéticas.

Kong Il-keun, especialista em clonagem na Universidade Nacional de Gyeongsang, na Coréia do Sul, produziu três gatos da raça angorá turca com genes modificados para proteína fluorescente (RFP, na sigla em inglês). O experimento trata-se, na verdade, de um importante avanço para a medicina. (revista IstoÉ)

É a primeira vez que conseguimos produzir gatos clonados com genes manipulados. Isso poderá ser aplicado em estudos com células-tronco e no tratamento de doenças genéticas,diz Il-keun.

Segundo ele, os gatos têm cerca de 250 tipos de doenças que também afetam o homem. Assim como os bichanos da Coréia do Sul, outros animais vêm tendo os seus genes manipulados para auxiliar a ciência na luta pela melhoria da qualidade da vida humana. A experiência é tão fantástica que levou grandes especialistas, como o geneticista chinês Bruce Lahn, a decretar que a criação de animais em laboratório representa o fim da teoria evolucionista proposta por Charles Darwin no século XIX. Lahn diz que a era da evolução natural acabou. Entramos na era da manipulação das espécies.

Se é o fim da teoria evolucionista eu não sei, mas que a informação é uma espécie de vetor que permiti que se estabeleça um substrato comum, que perpassa a matéria física, a matéria viva e a máquina, disso tenho certeza. A partir da arte transgênica, isso é possível, graças à constituição da noção de informação, no qual se pode entender o objeto técnico, o ser vivo e o ser inanimado.

Em 2000, o artista Eduardo Kac realizou o trabalho denominado GFP Bunny. Trata-se da inclusão de uma proteína de medusa (Aequorea Victoria) em um DNA de uma coelhinha albina, tornando-a fluorescente em um ambiente com uma determinada iluminação (precisa-se de um tipo de luz azul).

Eu proponho o uso da engenharia genética para transferir gens sintéticos para micro organismos ou material genético de uma espécie para a outra com o objetivo de criar organismos vivos únicos e originais. A engenharia genética permite ao artista criar novas formas de vida animal e vegetal. A natureza deste tipo de arte se define não apenas pelo nascimento de uma nova planta ou animal, mas pela qualidade da relação que se estabelece entre o artista, o público e o organismo transgênico. Trabalhos de arte transgênica serão levados pelo público para casa para serem plantados no jardim ou criados como animais domésticos. Não pode existir arte transgênica sem um firme compromisso e responsabilidade com a nova forma de vida criada. Diz Eduardo Kac

Já Universidade de Tóquio, o cientista Takashi Sakudoh manipulou os genes do bicho da seda para que eles produzissem fios vermelhos, amarelos e verdes – cores que, naturalmente, não produzem.

As cores da seda resultam de pigmentos naturais, absorvidos quando os bichos comem as folhas de amoreira. Por isso as cores naturais são pouco vibrantes e padronizadas”, diz Sakudoh.

Os cientistas japoneses observaram que, nos bichos-da-seda que produzem seda branca, o “sangue amarelo” ou gene Y sofre mutação: um segmento de DNA é apagado. O gene Y permite aos bichos da seda extrair carotenóides (pigmentos orgânicos que ocorrem naturalmente nas plantas), compostos da cor amarela, das folhas da amoreira.

Os insetos com mutação produziam uma forma não-funcional da proteína de carotenóide CBP, conhecida por ajudar a captar o pigmento. Usando técnicas de engenharia genética, os cientistas introduziram genes Y imaculados nos insetos mutantes.

Os bichos-da-seda manipulados produziram CBP e casulos de cor amarela, que se revelou mais forte depois de vários cruzamentos. Segundo os autores deste estudo, publicado nas atas da Academia Nacional de Ciência dos Estados Unidos, a seda poderá ser produzida em cor-de-carne e num tom avermelhado.

A designer Yumi Katsura desenvolveu vestidos de noiva utilizando esta seda específica. Com duração de até dois anos, o efeito surge quando o vestido é exposto a fontes de luz ultravioleta, capazes de fazer o modelo brilhar em tons de vermelho, laranja e verde.

Talvez Darwin reprovasse todas essas experiências, mas essa é a escada da vida. Ou seja: a evolução das espécies cedeu lugar à manipulação dos genes. Também as teses evoluem. (revista IstoÉ)

Será?

Se essa proteína fluorescente age como um raio – feixe de luz – há de se considerar que para os hindus o raio gera e destrói, ao mesmo tempo, ele é vida e é morte.

Beijos,

Luisa Mendes

O universo invisível da nanotecnologia

Em 1964, o arquiteto Britânico Ron Herron apresentou em um artigo de arquitetura o que chamou de THE WALKING CITY.  Eram edifícios com estruturas robóticas móveis, e com inteligência própria, que poderiam se movimentar livremente, rodando o mundo. Várias “walking cities” poderiam se conectar formando “walking metropolises”. Com o intuito de homenagear o arquiteto Ron Herron, em 2006, a designer de moda Ying Gao criou projeto homônimo com três vestidos interativos: cotton, nylon e dispositivos eletrônicos.

O ar é o elemento fundamental do projeto de Gao. Estes vestidos interativos jogam com a percepção do público: o fluido movimento do ato de respirar é simulado pelo uso de sensores e um mecanismo de pneumática (aplicação de gás sob pressão para produzir movimento mecânico), que semea diretamente no nylon e no cotton, tomando uma dimensão lúdica através de sua capacidade inflável.  Estas peças são mais difíceis de entender do que vestidos convencionais, quase enganando o público para enxergá-los da forma que eles realmente são.

walking city, interactive dress 1 from ying gao on Vimeo.walking city, interactive dress 2 from ying gao on Vimeo.walking city, interactive dress 3 from ying gao on Vimeo.

Luz, imaterial, mudança e poética, este é o conceito das peças infláveis que dão vida às roupas, com seus movimentos mecânicos dando a impressão de que eles são controlados por um corpo. Ying Gao

De fato, o universo invisível da nanotecnologia, através de uma apresentação poética e metafórica têm impactado a cultura e a consciência humana, vide projetos já relatados neste blog: The Aphrodite e Catalytic Clothing. Diante desse substrato e de outros trabalhos de nanociência, acredito que a moda pode caminhar no sentido de problematizar e explorar novas matrizes que há muito tempo já não é um domínio exclusivo da ficção, tendendo a cada vez mais ser uma nova linguagem de expressão, de agregação de sentidos e de sensibilidade. 

Beijos,

Luisa Mendes  

 

Roupas que purificam o ar

Considerado um dos quatro elementos, o ar representa a vida invisível, é o meio próprio da luz, do alçar voo, da cor e do perfume.

O ar é um purificador.

Ou, deveria ser.

No momento, as duas maiores fontes de poluentes atmosféricos são transmitidas por veículos da indústria e do motor. Pensando nisso, Helen Storey, artista e designer, se juntou com Tony Ryan, cientista, para pesquisar e encontrar uma solução para purificar o ar por meio das roupas que usamos.

Eles criaram o projeto CATALYTIC CLOTHING.

Funciona desta forma: durante o processo de lavagem de nossas roupas, adicionamos um catalisador, à medida que nos movemos este fotocatalisador ganha energia por meio da luz, assim os elétrons são reorganizados, tornando-se reativos. Estes elétrons reagem com a água do ar e quebram-se em radicais que reagem com poluentes atmosféricos, fazendo com que estes se dividam em não nocivos químicos.

The Catalytic Clothing Story from Helen Storey Foundation on Vimeo.

Helen e Tony já realizaram testes com o cotton e o denim, e se tudo ocorrer como o planejado, em dois anos este material estará acessível para todos nós.

Se pensarmos de acordo com a tradição Islã, que o tear simboliza a estrutura e o movimento do universo, concluiremos que a nanotecnologia aplicada à tecelagem pode ser um caminho para a mudança do nosso ecossistema.

Tudo se passa como se a tecelagem traduzisse em linguagem simples uma anatomia misteriosa do homem.

Beijos,

Luisa Mendes