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Knotted tassels: funcionalidade e ornamento

Semana passada, participei de um curso com Katia Johansen, conservadora textil e curadora do Royal Danish Collections, sobre Museologia da Moda, Instituto Zuzu Angel. Johansen falou um pouco sobre a indumentária na Dinamarca, como eles reconstroem e preservam as peças com o intuito de pesquisar o seu processo.

Katia explicou sobre os “Knotted tassels”- adorno, característico do século XVII, usado no pescoço cujo acabamento final era feito por nó – e mostrou como eles foram reproduzidos e continuam presentes, fazendo um paralelo com os headphones atuais.

este slide foi apresentado por Katia Johansen

Confesso que fiquei apaixonada por esta aproximação e quando retornei do curso, fui em busca no meu arquivo de dados, de referências e imagens que validam o uso de headphones como um elemento do vestuário: unindo funcionalidade e ornamento.

Os “Knotted tassels”, assim como os headphones, apresentam aspecto de uma corda. Suas extremidades agem como alfa e ômega, princípio e fim.

Não é de se estranhar que os “tassels” adornam justamente o pescoço: local do corpo humano em que se localiza a alma animal do homem, que condiciona o seu temperamento. É a partir desta perspectiva que os índios guaranis apapocuvas do Brasil, transpõem para o pescoço a comunicação entre a alma e o corpo.

Visando ilustrar este aspecto, digo que se os “Knotted tassels” atribuíram novos sentidos aos headphones, hoje eles abrigam um elemento agregador ao adorno: a música.

Para Boécio, a música rege o homem e o apreende – supõe um acordo entre alma e corpo.

Ei-la que se aproxima da orelha,

Como se fosse falar, beijando

Seu querido amante,

É a corda: esticada no arco, ela vibra

Como uma donzela, salvadora, na batalha.

( Rig-Veda, 6, 75)

 

Beijos,

Luisa Mendes

Siga-me

Andar de sapatos é tomar posse da terra. Jean Servier em Les Portes de

l´Année.

Na Grécia, século V a.C, as cortesãs usavam sandálias folheadas a ouro, e as solas eram cravejadas com pregos que deixavam marcada a palavra “siga-me” por onde passavam.

Norene Leddy, anos 2000, faz uso do sapato como uma ferramenta que contribui para um diálogo com as prostitutas de rua. Esta social sculpture”, como é definida pela própria artista, faz parte do projeto The Aphrodite.

Trata-se de uma sandália plataforma, feita para ser usada por prostituas de rua, que no salto traz embutidos um GPS e um botão que, se acionado, dispara um alarme silencioso para serviços de emergência. Caso o alarme seja disparado em locais onde são comuns os conflitos com a polícia, o sinal é direcionado a associações de proteção a trabalhadoras sexuais.

                                                                                             Giselle Beiguelman

Lembrei-me que para os antigos Taoístas, as sandálias eram o meio de locomoção nos ares: homens das solas de vento, suas sandálias tinham asas; é até possível que elas fossem pássaros.

No projeto Aphrodite→  AS PLATAFORMAS são = CALCANHARES ALADOS, que navegam em uma nuvem pós-virtual, evidenciando desde o valor dos serviços sexuais até a ética no monitoramento.

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♥ o trabalho da artista Norene, que a propósito conheci durante a apresentação de Giselle Beiguelman, nos Seminários Internacionais Museu Vale.

Quem não foi, pode ver tudinho por aqui → Palestras Muse Vale. 

Beijos,

Luisa Mendes

Elisa na GAEU

Ontem, dia 27 de novembro, dia de Nossa Senhora das Graças, ocorreu a vernissage da Exposição Elisa, na Galeria de Arte Espaço Universitário, UFES.

Elisa: à espera de construir novas paisagens.

A Galeria de Arte Espaço Universitário encerra o calendário de 2012 com a exposição denominada “Elisa”. Dez artistas com linguagens diversas criam de forma relacional afinidades de trabalho e produção com a poética da artista multimídia Elisa Queiroz.

Coube a este grupo, amigos da artista, se debruçar durante dois dias sobre o espólio da artista, reunir suas obras e pôr em ordem suas memórias, depositada no Sítio Luar de São Bento, de propriedade de Mauro Ferreira, na região montanhosa de Pedra Azul.

Subimos todos juntos, numa manhã fria – sábado de maio – por uma pequena estrada que dava acesso ao sítio, região pitoresca e aprazível; ademais, viam-se inumeráveis vegetações das mais diversas, onde tufos de pessegueiros cor-de-rosa e outras belas árvores ofereciam sombras densas. Desse majestoso e agradável caminho, tivemos a grata surpresa quando, de súbito, sem atalho para continuar, no topo da serra, descortinava-se uma pequena casinha branca, praticamente era um ermo solene. Segundo Mauro, estávamos “à porta do céu”. Com grande sentido, essa pequena frase engendrou uma nova inventiva: vindouro – evoca ao mesmo tempo artista e obra, o que está por vir. Promessa.

Nesta perspectiva, e na própria medida dessa expansão, este acesso possibilitou observar como Elisa Queiroz utilizava-se de suas coleções pessoais, fatos biográficos e elementos cotidianos em seus trabalhos, elementos que migravam do ‘mundo’ para o interior das obras, ressignificando e sendo ressignificados em novas estruturas simbólicas. Um legado valioso, um patrimônio – regulado por acordo de transferência e pertencente ao acervo da Universidade Federal do Espírito Santo – que permitirá a transmissão às gerações vindouras de um valoroso benefício para a arte brasileira.

Assim, as escolhas dos artistas Douglas Salomão, Erly Vieira, David Caetano, Fabrício Coradello, Júlio Tigre, Júlio Schmidt, Yvana Belchior, Luciano Cardoso, Maruzza Valdetaro e Orlando da Rosa Farya, que fazem parte desta mostra, de modo algum interpretam ou ilustram a obra de Elisa Queiroz. Mas eles se aproximam de representações sobre o seu contexto; são signos enquanto método mnemônico para acessar as diversas camadas, expandir e adensar a produção de conhecimento, transformando o acervo de uma artista em um eixo vivo dentro da instituição. Estes ‘documentos visuais’ produzidos pelos artistas funcionam como mapeamentos subjetivos, transfiguram-se em novos arquivos e espaços narrativos. Esta coleção não poderia iniciar-se melhor, e estamos certos de que o público lhe despenderá o mesmo acolhimento com que consagrou a grande artista Elisa Queiroz.

A propósito, o título desta exposição, extraído do próprio nome da artista, inscreve o corpus da obra “Elisa”, que em hebraico significa promessa. A sua assinatura ao longo de sua trajetória abreviada no monograma E.Q numa relação quase ‘confessional’, ainda que codificada em símbolos e de forma sempre evocativa, é uma inscrição.

Porém, há algo aqui e agora, atrás, quem sabe do lado, que ficou intocável! Mas sustenta um peso descomunal – AHHH, SAUDADE DE ELISA! Talvez por isso, pela primeira vez, ela não seja leve.

Neusa Mendes

 Sábado, céu azul de outubro 2012

Neusa e Elisa, minhas mães.

Até 08 de março de 2013, 08:00 às 18:00.

Não dá para perder.

Fotos: Elder Ferreira.

Beijos,

Luisa Mendes

Comelância

A vídeo instalação Comelância, é composta por uma melancia de 5 kg e um monitor de vídeo de 3″ que exibe imagens da artista Elisa Queiroz devorando uma melancia. Esta visualização é permitida por meio de uma abertura em formato de coração.

Este é um dos vários trabalhos produzidos pela artista, e referência para a coleção de lenços do dia das mães.

Instalação exibida na exposição Quanto Mais Arte Melhor, UFES, 2005

Ref.:LE004, 120x120cm

Beijos,

Luisa Mendes

Dia das Mães

Especialmente para o dia das mães, lanço uma coleção de lenços evidenciando a obra de Elisa Queiroz. Bolas imersas em sutiãs, melancia, bolachas recheadas, partes do corpo da própria artista tais como seios, umbigo e virilha: recortados, sublimados em saquinhos de chás com impressão em transfer ou em papel de arroz – são alinhavados por mim com agulha e linha, inspirando-me a demarcar para além do lampejo da descoberta. Transformam-se em poemas cheios de humor, desejos explícitos de abrigo. A adiposidade feminina, referência estética da artista, encontra leveza em meio à flores, anjos e pássaros, na própria voz de Elisa Queiroz: “torna-se aqui uma forma do curso do tempo falo da relação entre moda e arte[i]. É fácil perceber que a sedução é uma das grandes aliadas da artista. Nesta equação de encantamento, respeito e homenagem à genial artista, lenços exagerados se oferecem como abrigo para revestir o corpo e recobrir a alma.



[i]  QUEIROZ Elisa. Exposição Objeto Obeso 1999.  Galeria de Arte Espaço Universitário, UFES. Elisa Queiroz nasceu em Macaé, RJ (1970/2011)

São 6 estampas diferentes, de 120x120cm, cada qual com uma tiragem limitada.

Escolha o seu:

Ref: LE008

Ref: LE007

Ref: LE006

Ref: LE003

Ref: LE005

Ref: LE004

torna-se aqui uma forma do curso do tempo falo da relação entre moda e arte

Beijos,

Luisa Mendes