Palácio da Ajuda

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A estrela da semana #31.07.2013

Há mais ou menos 1 mês, o catálogo da exposição da artista Joana Vasconcelos, realizada no Palácio Nacional da Ajuda (Portugal), tem sido o relâmpago daqui de casa.

O fato é que “mames” voltou encantada com a exposição e todos que perguntavam acerca da viagem ela só falava sobre Joana, assim, despertando interesse instantâneo de todos sobre a artista.

E para gostar tem que conhecer, lá fui eu pesquisar.

Joana Vasconcelos interpreta a realidade através da análise das mentalidades e das iconografias da sociedade atual. A artista aborda a dialética entre alta e baixa cultura, as esferas pública e privada, a tradição e a contemporaneidade. A sua prática consiste na desconstrução dos valores, hábitos e costumes da civilização ocidental para questionar a identidade pessoal e coletiva, releve esta do género, da classe ou da nacionalidade. Vasconcelos inspira-se no imaginário comum, tanto a nível global como local. Contudo, na sua prática, prevalecem referências a narrativas e artefatos familiares ao seu cotidiano. Tal traduz-se na adoção regular de imagens e objetos característicos do lugar onde vive e trabalha – Lisboa- como matéria-prima das suas obras. Na execução destas, a artista emprega materiais populares normalmente associados à condição da mulher e recorre a técnicas com caráter artesanal habitualmente ligadas ao labor feminino. Miguel Amado – comissário da exposição.

Algumas obras já haviam sido apresentadas em outros espaços, como no Palácio de Versalhes. Nos dois contextos, as mesmas dialogam com elementos das salas dos Palácios, que as acolhem e, muitas vezes, promovem uma redescoberta.

Para quem, como eu, não pode visitar a exposição, segue um vídeo que faz um passeio por entre as salas da mostra.

O conjunto de obras em cerâmica e croché inscreve-se na série de trabalhos desenvolvidos a partir de um núcleo restrito de faianças desenhadas por Rafael Bordalo Pinheiro, unanimamente posicionado entre os mais destacados artistas portugueses do século XIX. A apropriação de Joana, no quadro da vasta produção cerâmica de Bordalo Pinheiro, inclui apenas a representação natunalista de animais, cuja proximidade com o homem é capaz de gerar desconforto, receio ou medo.


Esta última obra, denominada de Airflow, exibe um dispositivo cinético de gravatas coloridas esvoaçantes. De acordo com Miguel Amado, a bidimensionalidade da composição é declarada negada pela coreografia do movimento das gravatas, convocando a moda, investida de associações fálicas e simbologia associada ao poder masculino, para encenar um diálogo, simultaneamente paródico e solene, entre escultura e pintura.

Conhecer o trabalho de Joana foi encantador e pensando aqui com meus botões, talvez Joana não seja o raio da semana e sim a estrela, na medida em que o raio é uma violenta descarga de energia, ao passo que a estrela é energia acumulada.

Beijos,

Luisa Mendes