tecido

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Multiplicidade infinita

Os Khmers, grupo étnico majoritário do atual estado do Camboja, acreditavam que os peixes eram impuros por mergulhar nas águas mais contaminadas do mundo subterrâneo.

O hagfish, também conhecido como peixe-bruxa, é um destes peixes que nadam em águas muito profundas, com baixa visibilidade, sempre procurando por restos de baleias mortas.

No contexto simbólico dos Khmers, o Hagfish é um peixe impuro.

Longe deste cenário, na Universidade de Guelph/Canadá, cientistas começam a olhar com mais atenção para estes peixes e percebem nos hagfish, potencial para gerar fonte natural e renovável para a produção de tecidos. Esta leitura se deve às substâncias contidas no muco produzido pelo peixe-bruxa em situações de autodefesa.

Quando o hagfish se sente ameaçado, eles disparam na água do mar uma substância leitosa que se expande, criando grande quantidade de um muco translúcido, composto por fibras extremamente fortes e elásticas. Estas fibras quando secas, se tornam sedosas.

No momento em que um tubarão morde um peixe-bruxa, sua boca e guelras são rapidamente cobertas pelo muco e imediatamente desistem do ataque para não morrer asfixiado.


Devido a sua composição e aspecto elástico e sedoso, pesquisadores acreditam que o muco do hagfish pode ser transformado em roupas esportivas ou, ainda, em coletes de proteção contra armas.
Esta pesquisa está em andamento, cientistas esperam reproduzir artificialmente as proteínas que são encontradas no muco do hagfish. A meu ver, será um avanço encontrar alternativas para substituir as fibras sintéticas que são produzidas por meio de fonte não renovável, como o petróleo.

Desculpem os Khmers, mas como acredito no simbolismo do peixe como nascimento ou restauração cíclica, nesta configuração, o peixe-bruxa é a multiplicidade e diversidade infinita do universo sensível, convertida em realidade tangível.

Estabelecida nesta perspectiva, eu aguardo novos resultados com o intuito de testar e usar esta matéria prima em muitas produções.

Beijos,

Luisa Mendes

Tecido celulose-bacteriano

Em um dos meus vídeos preferidos do TED, Suzanne Lee, fashion designer, apresenta seu projeto de desenvolvimento de tecido por meio de uma cultura simbiótica de leveduras e bactérias.

Can we grow a dress from a vat of liquid? Suzanne Lee

Em uma grande banheira, Suzanne misturou açúcar a uma solução de chá verde e adicionou um pouco de levedura. Assim, obteve uma camada de couro compacta que pode ser utilizada como tecido para fazer roupas.
What I’m looking for is a way to give material the qualities that I need. So what I want to do is say to a future [insect], ‘Spin me a thread. Align it in this direction. Make it hydrophobic. And while you’re at it, just form it around this 3D shape.
Vocês já leram sobre esta pesquisa?
Vale a pena conhecer este rico processo. ↓↓↓

Beijos,

Luisa Mendes