Ying Gao

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O universo invisível da nanotecnologia

Em 1964, o arquiteto Britânico Ron Herron apresentou em um artigo de arquitetura o que chamou de THE WALKING CITY.  Eram edifícios com estruturas robóticas móveis, e com inteligência própria, que poderiam se movimentar livremente, rodando o mundo. Várias “walking cities” poderiam se conectar formando “walking metropolises”. Com o intuito de homenagear o arquiteto Ron Herron, em 2006, a designer de moda Ying Gao criou projeto homônimo com três vestidos interativos: cotton, nylon e dispositivos eletrônicos.

O ar é o elemento fundamental do projeto de Gao. Estes vestidos interativos jogam com a percepção do público: o fluido movimento do ato de respirar é simulado pelo uso de sensores e um mecanismo de pneumática (aplicação de gás sob pressão para produzir movimento mecânico), que semea diretamente no nylon e no cotton, tomando uma dimensão lúdica através de sua capacidade inflável.  Estas peças são mais difíceis de entender do que vestidos convencionais, quase enganando o público para enxergá-los da forma que eles realmente são.

walking city, interactive dress 1 from ying gao on Vimeo.walking city, interactive dress 2 from ying gao on Vimeo.walking city, interactive dress 3 from ying gao on Vimeo.

Luz, imaterial, mudança e poética, este é o conceito das peças infláveis que dão vida às roupas, com seus movimentos mecânicos dando a impressão de que eles são controlados por um corpo. Ying Gao

De fato, o universo invisível da nanotecnologia, através de uma apresentação poética e metafórica têm impactado a cultura e a consciência humana, vide projetos já relatados neste blog: The Aphrodite e Catalytic Clothing. Diante desse substrato e de outros trabalhos de nanociência, acredito que a moda pode caminhar no sentido de problematizar e explorar novas matrizes que há muito tempo já não é um domínio exclusivo da ficção, tendendo a cada vez mais ser uma nova linguagem de expressão, de agregação de sentidos e de sensibilidade. 

Beijos,

Luisa Mendes